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Berlengas
acabam por ser, para muitos, mais um local de "peregrinação" na
época balnear, enquanto para outros é uma lição ambiental. O
arquipélago das Berlengas é constituído por três grupos de ilhéus, nos
quais se podem apreciar as suas características faunísticas e
florísticas únicas. Sendo, por isto mesmo, considerado Reserva Natural,
desde 3 de Setembro de 1981 e reconhecido internacionalmente, através do
estatuto de Reserva Biogenética do Conselho da Europa.

No bairro de pescadores, na encosta
sobranceira ao porto, podem-se obter esclarecimentos e enorme utilidade,
junto dos guardas e vigilantes da natureza, para a realização do trilho
pedestre. Este trilho, com aproximadamente 2 km, permite admirar toda a
beleza do arquipélago.

Subindo o bairro em direcção ao outro
extremo da ilha pode-se observar uma cobertura vegetal nossa conhecida
através das costas do continente, trata-se do Chorão, espécie exótica,
introduzida na ilha na década de 40. Nos espaços deixados por esta
planta podem-se encontrar inúmeras Gaivotas-argênteas.
Toda a ilha está recoberta por ninhos de
gaivotas, sendo mesmo, considerados uma verdadeira praga.
Nas proximidades do pesqueiro do
Capitão, a paisagem torna-se mais agreste, de rocha nua, onde as
lagartixas endémicas da Berlenga se aquecem ao sol.

Este istmo de terra, resultado do
estrangulamento provocado pelo Carreiro dos Cações e pelo Carreiro do
Mosteiro, permite a ligação da ilha Velha à denominada ilha da
Berlenga.
Após uma subida ao Carreiro do Mosteiro
avista-se o farol de onde se tem uma vista fantástica sobre o Bairro dos
Pescadores, o porto, e no horizonte, o Cabo Carvoeiro e a praia da
Consolação.
O farol está na zona mais elevada da
ilha, localizada já na zona de reserva natural integral.
Na zona da cisterna pode-se desfrutar da
esplêndida vista proporcionada pelo forte de S. João Baptista.
Para quem escolher passar a noite na
ilha, a acampar, poderá observar, ao entardecer, o regresso das Cagarras
e das Gaivotas-argênteas. Embora durante a noite, o barulho que fazem é
ensurdecedor.

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As Berlengas ficam a cerca de 10
kms de Peniche. Antes de chegar à ilha, podem observar-se as
várias aves marinhas, entre as quais a Gaivota- argêntea, a Gaivota-tridáctila, a
Gaivota-asa-escura, o Corvo- marinho-de-crista, a Pardela- de-bico-amarelo, e com alguma sorte, outras espécies, mais raras,
migratórias.

Ao chegar-se perto da ilha,
pode ver-se a sua imponente formação granítica, de 85 metros de altitude,
poucos minutos depois está-se em terra, a ser saudado por dezenas de
pescadores, já que o "Cabo Avelar" (barco utilizado na travessia
de Peniche até à Berlenga) é a fonte de mantimentos da vila e portanto
dos pescadores.

Seguindo o trilho, que vai ter ao extremo
leste da ilha, até à zona da Sereia, onde buzinas avisam as embarcações
do perigo que a ilha representa em dias de tempestade e nevoeiro. Daí
vêem-se alguns alguns ilhéus, como o ilhéu da Velha ou o do Maldito, onde
nidificam uma das espécies mais queridas da Berlenga- o Airo.
Continuando pelo trilho, pelo Carreiro dos
Cações, pode-se apreciar a paisagem inóspita decorada com os tufos de
Armeria e algumas tocas, onde habitam os coelhos em conjunto com os
Ratos-pretos, sendo estes, os únicos mamíferos terrestres da Berlenga,
introduzidos com a ajuda humana.
O Carreiro dos Cações é um local de
enigmática beleza. Nas escarpas próximas da água podem vislumbrar-se
alguns ninhos de Corvo-marinho-de-crista e tocas de coelhos, só possíveis
nos espaços deixados pela omnipresente Gaivota-argêntea.

Quem visitar a Berlenga, não pode deixar
de ir às suas grutas, resultantes da acção erosiva do mar sobre o
granito. Descendo a longa escadaria, que vai dar à zona de campismo até à
praia do Carreiro do Mosteiro, chega-se a um cais onde é possível
surpreender alguns Corvos-marinhos-de-crista a pescar. Aí, tem-se sempre
pequenas embarcações que fazem viagens de meia hora, pelos rochedos,
ilhéus e grutas da parte sul da ilha.
O cair da tarde anuncia, então, a hora da
partida, confirmada pela chegada à ilha do "Cabo Avelar Pessoa",
ostentando o seu Airo, símbolo deste maravilhoso lugar que merece, sem
dúvida, ser visitado e respeitado.
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