FREI LUIS DE SOUSA
FREI LUIS DE SOUSA (1555-1632), que nasceu em Santarém, é um dos mais finos estilistas da língua portuguesa. Antes de professar, chamava-se Manuel de Sousa Coutinho. Militou na religião de Malta, esteve prisioneiro dos Mouros e foi levado para Argel. Readquiriu a liberdade ao fim de um ano, voltou ao reino e casou com D. Madalena de Viihena, em 1583, viúva de D. João de Portugal, filho de D. Francisco de Portugal, 1.º Conde do Vimioso, e que jazeu para sempre na batalha de Alcácer-Quibir. Por sua vez, D. Madalena de Vilhena era filha e herdeira de Francisco de Sousa Tavares, natural de Almada, capitão-mor do mar da índia, e de D. Maria da Silva. Em 1600 (Portugal estava sob o domínio espanhol), vivia na vila de Almada, onde era coronel de 700 infantes e de quase 100 cavalos, altura em que lavrou mais uma peste em Lisboa. Para que os espanhóis não viessem residir para o seu palácio, lançou fogo a todos os haveres.
É também por esta altura que lhe morre a sua filha, D. Ana de Noronha. Fugindo às autoridades castelhanas, contra as quais desobedecera, embarca para a América, onde se demora quatro anos. (Tudo quanto se refere ao aparecimento de D. João de Portugal, o Romeiro, é pura fenda, que só teve o mérito de proporcionar ao grande Almeida Garrett a elaboração de uma obra-prima do teatro português: Frei Luís de Sousa.) De comum acordo, em 1613, separa-se de sua mulher e ambos vestiram o hábito dominicano: ele, no convento de Benfica, e D. Madalena no mosteiro do Sacramento, sob o nome de Madalena das Chagas. As suas obras capitais são: Vida de Frei Bartolomeu, dos Mártitires, História de S. Domingos e Anais del-rei D. João III.
Faleceu no Convento de S. Domingos de Benfica, em Maio de 1632.