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A
talha dourada é uma das expressões artísticas portuguesas que melhor
representa a nossa adesão ao barroco. A talha vai ser considerada como um
poderoso mecanismo de atracção dos sentidos. Possuidores de toda uma técnica
tradicional os nossos artistas vão atingir um alto nível estético nas obras
produzidas, principalmente a partir de meados do séc. XVII. O Porto foi, ao
longo dos séculos XVII e XVIII, um dos centros mais activos de produção de
talha, e com alguns dos mais belos exemplares retabilísticos do país. A
intensa actividade justifica-se pelo volume de encomendas destinadas a
enriquecer o interior das igrejas e capelas portuenses.
A
execução de uma obra de talha, requeria uma articulação entre diversos
artistas, principalmente os entalhadores, os ensambladores e os douradores.
Organizando-se em oficinas, os artífices tinham o seu ofício estruturado de
acordo com uma hierarquia rígida. Assim, oficiais, obreiros e aprendizes,
desempenhavam as suas respectivas tarefas cumprindo as ordens do mestre, que se
comprometia perante o cliente a executar a encomenda conforme as cláusulas
rigorosas estipuladas em contrato devidamente redigido em notário.
Na
primeira metade do séc. XVII a talha dourada aparece nas composições
retabilísticas. A partir do último terço do séc. XVII, os mestres
entalhadores António Gomes, Domingos Lopes e Domingos Nunes, arrematam a
maioria das empreitadas de vulto da cidade.
A
partir de 1717, de acordo com as directrizes do cabido, são iniciadas
alterações profundas na Sé do Porto que irão torna-la um templo de cariz
Barroco, estas transformações serão decisivas para a introdução e
afirmação do espírito Barroco no Porto.
As
obras efectuadas operaram grandes modificações, surgindo um novo espaço
interior, mais amplo e iluminado. Para dar execução a este grandioso projecto,
foi necessário a colaboração de artistas dos mais diversos ofícios altamente
especializados. Entre todos, e pelo papel que irão desempenhar na arte
setecentista portuense destacam-se o pintor Nicolau
Nasoni, o arquitecto António Pereira e o mestre de arquitectura, Miguel Francisco da Silva. No
retábulo-mor da Sé do Porto encontramos uma dupla marca do Joanino de Lisboa:
a planta de Santos Pacheco e a mão de Miguel Francisco da Silva.
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