...quem fomos e a nossa História

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Origens    


Documentos pré-históricos, na sua maioria constituídos por espólios desenterrados por pacientes arqueólogos, denunciam que os primitivos povos do vale de Bougado desceram das que os circundavam, onde viviam da caça e dos frutos silvestres.

Instalaram-se nas férteis terras ribeirinhas do rio Ave, a princípio alagadas por extensas toalhas de água que, com o decorrer do tempo, foram cobertas por terras de aluvião.

Destas terras e de outras arroteadas à custa de sobre-humana força recolheram ao longo de séculos e milénios o sustento para viver, inúmeras vezes abatidos e sangrando por pestes, secas, doenças, guerras e inundações.

Para de defenderam destes males recorriam a Deus, reunindo-se em “igreja” para a oração colectiva, sob a paternidade de um santo, o seu orago ou padroeiro.

Desta comunhão eclesial do povo de Bougado brotaram duas comunidades paroquiais aí por volta dos finais do século VII com a recristianização da Península Ibérica: São Martinho e São Tiago, seus oragos e padroeiros.

A de S. Martinho representada no brasão da cidade da Trofa pelo báculo de bispo e a de S. Tiago, apóstolo, pelo bordão.

Do amanho da terra viveram os seus povos, durante séculos. A partir do século XX, a indústria é a sua actividade principal.

O brasão da cidade assim informa: uma espiga para simbolizar a actividade agrícola e uma roda dentada significando a indústria.

Duas comunidades, pois, e um só povo.

  

 

 O Brasão da Trofa  


 O Brasão (ou armas da cidade) apresenta-se de campo ou fundo branco com os seguintes elementos:

Em chefe, uma roda dentada com uma espiga sobreposta  no arco  direito , que simbolizam as  duas principais actividades económicas  da cidade da Trofa : a indústria e o comércio.

De cada lado, a figuração das duas freguesias representadas, simbolicamente , pelos seus padroeiros : São Martinho de Tours (o báculo evangelizador das Gálias) e São Tiago (o bordão de peregrino com as tradicionais vieira e cabaça).

Todas estas figuras estão representadas com as cores naturais, indicando-se o ouro para o báculo por ser o metal que significa nobreza, fidelidade e constância, três grandes qualidades daquele santo padroeiro.

Em contra-chefe, quatro faixas onduladas , duas de azul e duas de prata , com figura da demolida Ponte Pênsil da Barca da Trofa com as respectivas torres.

Coroa mural de prata de cinco torres e listel branco com os dizeres “Trofa” de negro.

 

A Bandeira da Trofa  


A Bandeira mostra-se com as seguintes características :

Azul e verde, as cores tradicionalmente mais empregadas, respectivamente, em São Martinho e Santiago de Bougado, por sinal duas cores que bem se adequam às duas freguesias.

Em São Martinho de Bougado, o azul é a cor do manto da Virgem das Dores, a grande devoção desta região ribeirinha do Ave; em Santiago de Bougado, o verde é a cor predominante em quase toda a sua vasta área de férteis agras e veigas ribeirinhas.

Ao centro, a Bandeira tem uma faixa branca com a representação das Armas ou Brasão.

A que se destina a figurar em cortejos ou outras cerimónias é de seda e bordada nas cores indicadas. Quando se trata de bandeira para arvorar, é de filete com as dimensões convenientes.  

 

Ex-libris da Trofa   


 

Na  sua metade do século XX , o vale de Bougado  é rasgado pela estrada real de Porto-Braga  e pela linha do Minho, do Porto a Valença  com seguimento para Espanha, acrescida dos ramais de Braga e de Monção.

A travessia do rio Ave faz-se, então, pela ponte pênsil da Barca da Trofa e pela ponte férrea na fronteira. com Lousado, construídas para o efeito.

O vale de Bougado, que até aí guardava ciosamente os seus habitantes apegados à terra desde o seu nascer ao seu morrer, como as árvores enraizada, nascendo, crescendo, vivendo e morrendo, despertou do seu sono secular e milenar  e abriu de par em par as portas para  a civilização de horizontes mais avançados e  dilatados.

Desapegou-se da rabiça do arado e lançou-se na indústria.

Os primeiros produtos manufacturados começaram-se a escoar  a partir de 1912 pelo país e pelas colónias. Nas décadas seguintes cresceram em quantidade e variedade, estendendo-se pelo estrangeiro.

Esta revolução industrial que, em finais do século XIX continua em crescendo, lançando os seus nas tentáculos por toda a região do baixo Ave, tem sido fonte rica de fartura e abundância para promoção social dos povos, a par de uma agricultura nas várzeas de Santiago de Bougado, próspera e rentável.

Justo é que a esbelta ponte pênsil da Barca da Trofa seja o marco, a ponte, entre um passado agrícola de subsistência e um futuro industial de crescimento e desenvolvimento.

Ela é, pois, ex-libris da cidade da Trofa.

 

 

Origem ou significado da palavra Trofa 


 Sobre a origem ou significado da palavra Trofa, que veio a assumir-se como corónimo e toponómio, as opiniões são diversas, confusas e hipotéticas.

Para uns, nada mais fácil ou expedido, tal origem tinha raíz em trofa ou trufa com o significado de tempos recuados de gracejo, escárnio, zombaria e daí os verbos trofar ou trufar de remota origem do troçar dos tempos de agora.

Para a Profª. Carolina Michaelis de Vasconcelos, Trofa «nome de uma povoação minhota  (perto de Famalicão) é nome de capa de junça ou palha de centeio, também chamada “croça” ou “palhoça”, com que os lavradores daquela província se agasalham tão agradável e pitorescamente contra a chuva.

Croça ou coroça = a amarela ; de crocea derivado de cromo – Palhoça de palha. Trofa, do germânico Troufe, Traufe, “goteira, biqueira, carne de telhado” de que a água escorre em bicas como das trofas de junça”».

Já Frei João de Sousa, nos seus “ Vestígios da Língua arábica”, lembra-nos que Trofa, corrupção de tarufa ou tarifa, é palavra árabe que significa cousa extrema, final, última.

Ainda no dizer deste autor, Trafaria, corrupção do árabe Tarifa, também coisa extrema, apresentava a mesma origem de Trofa .

Segundo o Prof. Dr. António Cruz:

«As terras extremas localizadas na margem de rios de transposição dificultada pela corrente o profundidade, constituindo-se, pouco a pouco, em povoado de circulação, ( pois que, obrigando a demora, não o eram apenas de passagem ), vem podiam, na verdade, receber a designação que melhor vinha a caber-lhes na língua árabe e num sentido genérico. Estamos a lembrar-nos, agermanada com a Trofa do Ave, da outra a Trofa do Vouga. E elas não são únicas.»

«Apurado, de seguro, e para já, temos isto: uma velha estalagem ao serviço de caminheiros, a estalagem da Trofa, remontando a tempos medievais; e a travessia do rio Ave, também desde uma época muito recuada, a fazer-se a vau ou utilizando barcas, naquele mesmo ponto que isso veio a ser designado como Barca da Trofa.»

«O mapa dos caminhos medievais portugueses tem sempre de inscrever com passagem pela Trofa – terra extrema – a carreteira que ligava a cidade do Porto a Braga, por ser essa a mais directa e, como tal, a preferida dos viageiros; a não ser assim, como viria a justificar-se tudo quanto diz respeito à instalação e manutenção de uma venda – ou, em designação posterior, quando não contemporânea, porque já existia e era então corrente, uma estalagem – capaz de os acolher e dar-lhes sustento antes da travessia do Ave.”

O exemplo desta e doutras estalagens vem abonar, segundo os especialistas, que aí, na instalação de abrigos e de pequeno comércio, que se radica o desenvolvimento de uma povoação nas margens de uma via de comunicação. Estes povoados, por isso mesmo, são chamados, e bem, povoados de circulação.

“Não foi outra coisa a primitiva Trofa, de princípio assinalada tão só pela estalagem medieval que nela fora instalada” – assim conclui o Prof. Dr. António Cruz.